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Questão #754
Creio na liberdade, esse vínculo entre o homem e a eternidade,
essa condição indispensável para situar o ser à imagem e
semelhança de seu criador.
Sobre o significado e a estruturação dessa frase, assinale a
afirmação correta.
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Questão #1287
Um tumulto parecido ocorreu no Cine Marquise, na avenida Paulista, mas por causa de
Beyoncé, que também levou um show às telas. Os funcionários, assustados com a
multidão que se levantou para dançar, tiveram de instalar barreiras que os impedissem de
chegar à tela, onde o chão é mais frágil.
Beyoncé, que também levou um show às telas. Os funcionários, assustados com a
multidão que se levantou para dançar, tiveram de instalar barreiras que os impedissem de
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Questão #891
Texto I
Negacionismo científico influencia no aumento de doenças
evitáveis por vacina no mundo
01 A vacinação é essencial e representa, além de atitude
02 individual, um ato coletivo, segundo o professor Gonzalo
03 Vecina Neto.
04 Nas últimas décadas, o avanço da medicina levou à
05 erradicação de algumas doenças mundiais. A criação de
06 vacinas e de tratamentos eficazes permitiram esse avanço
07 na saúde. Entretanto, de acordo com a Organização
08 Mundial da Saúde (OMS), o número de casos de doenças
09 evitáveis por vacina, como difteria, sarampo e meningite,
10 tem aumentado recentemente.
11 As causas desse crescimento são diversas e variam de
12 acordo com a localidade. Gonzalo Vecina Neto, professor
13 da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de
14 São Paulo (USP), comenta dos motivos desse aumento.
15 “Em regiões mais pobres, na África e no Sudeste Asiático,
16 a explicação desse crescimento é a escassez de vacinas,
17 falta de dinheiro para comprar essa forma de proteção.
18 Entretanto, nas outras regiões, desenvolvidas ou de renda
19 média, as razões são muito mais complexas, de modelo de
20 vacinação a negacionismo científico.”
21 Vacinação
22 Segundo o docente, atualmente existem duas formas de
23 vacinação adotadas pelas nações: a puericultura e o
24 modelo campanhista. No primeiro caso, há o
25 acompanhamento total da criança durante a sua infância
26 e o seu crescimento, analisando todo o quadro de saúde
27 do indivíduo. Por outro lado, as campanhas vacinais,
28 como o próprio nome diz, visam apenas à vacinação da
29 população. Mesmo os dois modelos sendo eficazes, a
30 puericultura é a mais indicada e eficiente a longo prazo.
31 O Brasil adota, desde 1975, o modelo campanhista de
32 vacinação. Até 2015, as campanhas atingiram cerca de
33 95% de cobertura vacinal da população. Contudo, após a
34 pandemia, casos de enfermidades como a meningite
35 voltaram a subir. Segundo a OMS, foram registrados, em
36 2024, 26 mil novos casos da doença e aproximadamente
37 1.400 mortes em 24 países.
38 Para o professor, a vacinação é, além de um ato
39 individual, uma atitude coletiva. “Quando você protege
40 mais de 70% da população, por alguma razão, o agente
41 infeccioso não consegue encontrar suscetíveis. Em uma
42 população de 100 habitantes, por exemplo, em que 70
43 estão vacinados, a chance de o agente contagioso
44 encontrar os outros 30 é muito pequena. É um evento
45 estatístico. Então, a proteção da sociedade protege a
46 todos. Mesmo aqueles que, por alguma razão, não
47 tiveram condição de ter acesso à vacina. O processo de
48 imunização de populações é um processo coletivo dentro
49 da saúde pública”, completa.
50 Negacionismo
51 Além dos modelos de imunização, a crescente onda
52 negacionista na ciência e a circulação de fake news têm
53 contribuído diretamente para o problema. “Uma mentira
54 bem contada e repetida muitas vezes se transforma em
55 uma verdade. E, dependendo do tipo de mentira que você
56 estiver tomando, existe risco de vida. Quando tratamos
57 de inverdades a respeito da vacina, isso pode colocar a
58 vida de pessoas em risco. Nós estamos vivendo em um
59 mundo em transformação, com alta carga de informações
60 compartilhadas. É um mundo onde nós estamos tendo
61 acesso a uma forma muito violenta à informação sem
62 regras”, defende Vecina Neto.
63 De acordo com a Organização, 138 países reportaram
64 casos de sarampo nos últimos 12 meses, sendo que, em
65 61, foram registrados grandes surtos. A doença é tida
66 como controlada em grande parte dos países
67 desenvolvidos e subdesenvolvidos. Porém, os dados
68 apresentados demonstram o retrocesso recente nos
69 avanços da medicina. Além da queda da cobertura
70 vacinal, conflitos novos e as mudanças climáticas são
71 agravantes do problema. Dessa maneira, as vacinas são
72 essenciais para mudar o cenário atual.
Negacionismo científico influencia no aumento de doenças
evitáveis por vacina no mundo
01 A vacinação é essencial e representa, além de atitude
02 individual, um ato coletivo, segundo o professor Gonzalo
03 Vecina Neto.
04 Nas últimas décadas, o avanço da medicina levou à
05 erradicação de algumas doenças mundiais. A criação de
06 vacinas e de tratamentos eficazes permitiram esse avanço
07 na saúde. Entretanto, de acordo com a Organização
08 Mundial da Saúde (OMS), o número de casos de doenças
09 evitáveis por vacina, como difteria, sarampo e meningite,
10 tem aumentado recentemente.
11 As causas desse crescimento são diversas e variam de
12 acordo com a localidade. Gonzalo Vecina Neto, professor
13 da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de
14 São Paulo (USP), comenta dos motivos desse aumento.
15 “Em regiões mais pobres, na África e no Sudeste Asiático,
16 a explicação desse crescimento é a escassez de vacinas,
17 falta de dinheiro para comprar essa forma de proteção.
18 Entretanto, nas outras regiões, desenvolvidas ou de renda
19 média, as razões são muito mais complexas, de modelo de
20 vacinação a negacionismo científico.”
21 Vacinação
22 Segundo o docente, atualmente existem duas formas de
23 vacinação adotadas pelas nações: a puericultura e o
24 modelo campanhista. No primeiro caso, há o
25 acompanhamento total da criança durante a sua infância
26 e o seu crescimento, analisando todo o quadro de saúde
27 do indivíduo. Por outro lado, as campanhas vacinais,
28 como o próprio nome diz, visam apenas à vacinação da
29 população. Mesmo os dois modelos sendo eficazes, a
30 puericultura é a mais indicada e eficiente a longo prazo.
31 O Brasil adota, desde 1975, o modelo campanhista de
32 vacinação. Até 2015, as campanhas atingiram cerca de
33 95% de cobertura vacinal da população. Contudo, após a
34 pandemia, casos de enfermidades como a meningite
35 voltaram a subir. Segundo a OMS, foram registrados, em
36 2024, 26 mil novos casos da doença e aproximadamente
37 1.400 mortes em 24 países.
38 Para o professor, a vacinação é, além de um ato
39 individual, uma atitude coletiva. “Quando você protege
40 mais de 70% da população, por alguma razão, o agente
41 infeccioso não consegue encontrar suscetíveis. Em uma
42 população de 100 habitantes, por exemplo, em que 70
43 estão vacinados, a chance de o agente contagioso
44 encontrar os outros 30 é muito pequena. É um evento
45 estatístico. Então, a proteção da sociedade protege a
46 todos. Mesmo aqueles que, por alguma razão, não
47 tiveram condição de ter acesso à vacina. O processo de
48 imunização de populações é um processo coletivo dentro
49 da saúde pública”, completa.
50 Negacionismo
51 Além dos modelos de imunização, a crescente onda
52 negacionista na ciência e a circulação de fake news têm
53 contribuído diretamente para o problema. “Uma mentira
54 bem contada e repetida muitas vezes se transforma em
55 uma verdade. E, dependendo do tipo de mentira que você
56 estiver tomando, existe risco de vida. Quando tratamos
57 de inverdades a respeito da vacina, isso pode colocar a
58 vida de pessoas em risco. Nós estamos vivendo em um
59 mundo em transformação, com alta carga de informações
60 compartilhadas. É um mundo onde nós estamos tendo
61 acesso a uma forma muito violenta à informação sem
62 regras”, defende Vecina Neto.
63 De acordo com a Organização, 138 países reportaram
64 casos de sarampo nos últimos 12 meses, sendo que, em
65 61, foram registrados grandes surtos. A doença é tida
66 como controlada em grande parte dos países
67 desenvolvidos e subdesenvolvidos. Porém, os dados
68 apresentados demonstram o retrocesso recente nos
69 avanços da medicina. Além da queda da cobertura
70 vacinal, conflitos novos e as mudanças climáticas são
71 agravantes do problema. Dessa maneira, as vacinas são
72 essenciais para mudar o cenário atual.
No primeiro parágrafo do texto, o enunciador estabelece a
introdução do tema que será tratado. Analise o trecho a seguir e
assinale a afirmação verdadeira: “Nas últimas décadas, o avanço
da medicina levou à erradicação de algumas doenças mundiais. A
criação de vacinas e de tratamentos eficazes permitiram esse
avanço na saúde. Entretanto, de acordo com a Organização
Mundial da Saúde (OMS), o número de casos de doenças evitáveis
por vacina, como difteria, sarampo e meningite, tem aumentado
recentemente.” (linhas 04-10)
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Questão #1030
Mas comecemos por Karoline. Trabalhando em uma fábrica de roupas, a protagonista não tem notícias do marido, que se alistara para lutar na guerra, há mais de um ano e, em um misto de desespero por ter sido despejada e oportunidade, por perceber que o dono da fábrica se interessara por ela, passa a ter um relacionamento com ele, o que a leva a engravidar. O que segue, daí, é uma espiral ainda mais intensa de pura dor e miséria que a leva à esfera de influência de Dagmar, que promete encontrar um bom lar para o bebê, o que só amplifica os horrores que são descortinados em uma excelente, mas angustiante cadência de queima lenta que não poupa o espectador de absolutamente nada. Mas é importante compreender, para aqueles que esperarem um filme sobre a referida serial killer, que A Garota da Agulha não tem esse feitio e o foco permanece constantemente em Karoline.
A primeira coisa que chama atenção é a transformação de Vic Carmen Sonne, uma bela atriz, em sua versão completamente sem glamour, com dentes tortos, cabelos desgrenhados, uma leve corcunda e uma linguagem corporal que transmite fragilidade, em um resultado que não só é realista, especialmente para a época, como parece perfeitamente natural. Esse é o primeiro sinal de que a produção não tem intenção alguma em lidar com beleza, algo que o design de produção de Jagna Dobesz, a direção de arte de Ristergren Albistur Lisette e Ewa Mroczkowska e a direção de fotografia em preto e branco de Michal Dymek elevam ao patamar de arte, mas uma arte suja, feia, deprimente, que tem o poder de subsumir toda uma era no continente europeu. Até mesmo o pouco que vemos da aristocracia local, quando Karoline é convidada à mansão onde mora seu amante rico, é de uma qualidade inquietante, com o pouco de real beleza sendo manchada pelas ações que lá acontecem.
FAN, R. Disponível em: https://l1nq.com/SDqhf. Acesso em: 18 abr. 2025. (Fragmento)
A primeira coisa que chama atenção é a transformação de Vic Carmen Sonne, uma bela atriz, em sua versão completamente sem glamour, com dentes tortos, cabelos desgrenhados, uma leve corcunda e uma linguagem corporal que transmite fragilidade, em um resultado que não só é realista, especialmente para a época, como parece perfeitamente natural. Esse é o primeiro sinal de que a produção não tem intenção alguma em lidar com beleza, algo que o design de produção de Jagna Dobesz, a direção de arte de Ristergren Albistur Lisette e Ewa Mroczkowska e a direção de fotografia em preto e branco de Michal Dymek elevam ao patamar de arte, mas uma arte suja, feia, deprimente, que tem o poder de subsumir toda uma era no continente europeu. Até mesmo o pouco que vemos da aristocracia local, quando Karoline é convidada à mansão onde mora seu amante rico, é de uma qualidade inquietante, com o pouco de real beleza sendo manchada pelas ações que lá acontecem.
FAN, R. Disponível em: https://l1nq.com/SDqhf. Acesso em: 18 abr. 2025. (Fragmento)
O fragmento de texto lido é um exemplar do gênero
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Questão #587
OS INVISÍVEIS DO BRASIL
A falta de registro civil continua a ser um obstáculo à cidadania e ao acesso a direitos fundamentais para quase três milhões de
brasileiros que vivem à margem da sociedade
Em um País que se orgulha de sua democracia e diversidade, é alarmante saber que, em pleno século XXI, milhões de brasileiros
permanecem invisíveis. Sem uma certidão de nascimento, uma pessoa não possui nome, sobrenome ou nacionalidade, tornando-se um
espectro na sociedade. Esse documento, que deveria ser um direito básico, é a chave para a cidadania, permitindo o acesso à educação,
saúde, casamento civil e programas sociais. No entanto, dados do Censo 2022 revelam que mais de 2,7 milhões de pessoas não
possuem nenhum tipo de documento de identificação civil, evidenciando que a cidadania no Brasil é um privilégio reservado a poucos.
Esse cenário é especialmente preocupante entre as populações mais vulneráveis. De acordo com dados do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), em 2022 havia mais de 87 mil crianças de até cinco anos sem registro civil. Embora tenha havido
uma queda em relação a 2010, a subnotificação ainda é alarmante, especialmente entre povos indígenas na Amazônia Legal. A região
Norte tem a maior proporção de casos sem registro, com mais de 86% da população com até cinco anos sem registro. Em plena era
globalizada, o Brasil ainda enfrenta uma questão que deveria ter sido superada: a inclusão de todos os cidadãos no sistema civil. As
desigualdades regionais são alarmantes; enquanto no Sul apenas 0,28% da população geral está sem registro, no Norte esse número
salta para 7,5%. A importância deste se torna ainda mais evidente em contextos críticos, como a pandemia de COVID-19, em que a
ausência de identificação dificultou o acesso à vacinação, expondo essa população a riscos ainda maiores.
Fonte: OS INVISÍVEIS. Isto É, Comportamento/saúde, 22 ago. 2024. Disponível em: <https://www.pressreader.com/brazil/isto-e/20240822/page/38/textview>.
Acesso em: 24 out. 2024.Adaptado.
A falta de registro civil continua a ser um obstáculo à cidadania e ao acesso a direitos fundamentais para quase três milhões de
brasileiros que vivem à margem da sociedade
Em um País que se orgulha de sua democracia e diversidade, é alarmante saber que, em pleno século XXI, milhões de brasileiros
permanecem invisíveis. Sem uma certidão de nascimento, uma pessoa não possui nome, sobrenome ou nacionalidade, tornando-se um
espectro na sociedade. Esse documento, que deveria ser um direito básico, é a chave para a cidadania, permitindo o acesso à educação,
saúde, casamento civil e programas sociais. No entanto, dados do Censo 2022 revelam que mais de 2,7 milhões de pessoas não
possuem nenhum tipo de documento de identificação civil, evidenciando que a cidadania no Brasil é um privilégio reservado a poucos.
Esse cenário é especialmente preocupante entre as populações mais vulneráveis. De acordo com dados do Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE), em 2022 havia mais de 87 mil crianças de até cinco anos sem registro civil. Embora tenha havido
uma queda em relação a 2010, a subnotificação ainda é alarmante, especialmente entre povos indígenas na Amazônia Legal. A região
Norte tem a maior proporção de casos sem registro, com mais de 86% da população com até cinco anos sem registro. Em plena era
globalizada, o Brasil ainda enfrenta uma questão que deveria ter sido superada: a inclusão de todos os cidadãos no sistema civil. As
desigualdades regionais são alarmantes; enquanto no Sul apenas 0,28% da população geral está sem registro, no Norte esse número
salta para 7,5%. A importância deste se torna ainda mais evidente em contextos críticos, como a pandemia de COVID-19, em que a
ausência de identificação dificultou o acesso à vacinação, expondo essa população a riscos ainda maiores.
Fonte: OS INVISÍVEIS. Isto É, Comportamento/saúde, 22 ago. 2024. Disponível em: <https://www.pressreader.com/brazil/isto-e/20240822/page/38/textview>.
Acesso em: 24 out. 2024.Adaptado.
No fragmento “Em um País que se orgulha de sua democracia e diversidade, é alarmante saber que, em pleno século XXI, milhões de
brasileiros permanecem invisíveis”, o termo invisíveis remete ao sentido:
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Questão #899
Relacione corretamente os termos destacados nos trechos
apresentados a seguir com suas respectivas funções sintáticas,
numerando os parênteses abaixo de acordo com a seguinte
indicação:
1. Objeto direto;
2. Predicativo do sujeito;
3. Adjunto adverbial;
4. Predicado.
( ) “Quando você {protege mais de 70% da população},
[...]” (linhas 39-40)
( ) “[...] {por alguma razão}, o agente infeccioso não
consegue encontrar suscetíveis.” (linhas 40-41)
( ) “[...] as vacinas são {essenciais} para mudar o cenário
atual. (linhas 71-72)
( ) “Então, a proteção da sociedade protege {a todos}.”
(linhas 45-46)
A sequência correta, de cima para baixo, é:
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Questão #1288
Nas redes sociais, usuários clamam pela volta do lanterninha, funcionário {que} monitorava
as sessões para garantir {que} o público mantivesse a etiqueta.
as sessões para garantir {que} o público mantivesse a etiqueta.
Considerando a sintaxe do português padrão escrito, quanto à pontuação,
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Questão #746
Nas frases a seguir, a forma do infinitivo foi substituída por um
substantivo correspondente.
Assinale a frase em que essa correspondência está correta.
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Questão #1652
Assinale a alternativa que preenche CORRETAMENTE as lacunas:
Um dos candidatos _____ prefeito de Vitória informou, em uma entrevista, _____assessores _____o abacaxi de Marataízes era o ____ mais gostava.
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Questão #815
Leia o texto a seguir:
Produção global de vinho em 2024 pode atingir menor
volume desde 1961
Organização culpou as mudanças climáticas pela brusca queda
Uma estimativa publicada nessa segunda-feira (2) pela
Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) informou
que a produção global da bebida poderá cair neste ano ao nível
mais baixo desde 1961.
De acordo com o relatório da entidade, a brusca queda foi
impulsionada pelas condições climáticas adversas, principalmente
a seca extrema que atingiu diversas regiões do planeta.
"Os desafios climáticos nos dois hemisférios são, mais uma vez,
as principais causas dessa redução no volume de produção
mundial", disse a OIV.
Em relação ao ano de 2023, que foi considerado fraco pelos
profissionais da área, a produção em 2024 deverá cair mais de
2%. Além disso, a quantidade representa uma redução de 13%
em comparação com a média da última década.
Segundo as projeções da OIV, com base nas colheitas de 29
nações que representam 85% da produção anual de vinho, os
números deste ano estão estimados entre 227 e 235 milhões de
hectolitros, o menor volume colhido desde 1961 (220 milhões).
Produção global de vinho em 2024 pode atingir menor
volume desde 1961
Organização culpou as mudanças climáticas pela brusca queda
Uma estimativa publicada nessa segunda-feira (2) pela
Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) informou
que a produção global da bebida poderá cair neste ano ao nível
mais baixo desde 1961.
De acordo com o relatório da entidade, a brusca queda foi
impulsionada pelas condições climáticas adversas, principalmente
a seca extrema que atingiu diversas regiões do planeta.
"Os desafios climáticos nos dois hemisférios são, mais uma vez,
as principais causas dessa redução no volume de produção
mundial", disse a OIV.
Em relação ao ano de 2023, que foi considerado fraco pelos
profissionais da área, a produção em 2024 deverá cair mais de
2%. Além disso, a quantidade representa uma redução de 13%
em comparação com a média da última década.
Segundo as projeções da OIV, com base nas colheitas de 29
nações que representam 85% da produção anual de vinho, os
números deste ano estão estimados entre 227 e 235 milhões de
hectolitros, o menor volume colhido desde 1961 (220 milhões).
“Além disso, a quantidade representa uma redução de 13%
em comparação com a média da última década” (4º parágrafo). A
expressão destacada veicula sentido:
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Questão #151
A palavra “que”, como pronome relativo, em um
período composto, tem como uma de suas
características retomar um termo anterior, passando a
representá-lo na oração seguinte. Tendo isso em
consideração, descarta-se a hipótese de a palavra “que”
sublinhada ser pronome relativo no seguinte trecho:
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Questão #694
A respeito da formatação de documentos oficiais padrão ofício de acordo com o
Manual de Redação da Presidência da República (2018), assinale a alternativa INCORRETA.
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Questão #2075
Texto I
Somos Todos Africanos
Sempre que entram em crise, as civilizações começam a
olhar para o seu passado buscando inspiração para o
futuro. Hoje estamos no coração de uma fenomenal crise
planetária que afeta todas as civilizações. Ela pode
significar um salto rumo a um estado superior da
hominização, bem como uma tragédia ameaçadora para
toda a nossa espécie. Num momento assim radical, não é
sem interesse sondar as nossas raízes mais ancestrais e
aquele começo seminal em que deixamos de ser primatas
e passamos a ser humanos. Aqui deve haver lições que nos
podem ser muito úteis. Hoje é consenso entre os
paleontólogos e antropólogos que a aventura da
hominização se iniciou na África, cerca de sete milhões de
anos atrás. Ela se acelerou passando pelo homo habilis,
erectus, neanderthalensis até chegar ao homo sapiens,
cerca de 100 mil anos atrás. Da África, ele se propagou
para a Ásia, há sessenta mil anos; para a Europa, há 40 mil
anos; e para as Américas, há 30 mil anos.
A África não é apenas o lugar geográfico das origens. É o
arquétipo primal, o conjunto das marcas impressas na
alma do ser humano, presente ainda hoje como
informações indeléveis, à semelhança daquelas inscritas
em nosso código genético. Foi na África que o ser humano
elaborou suas primeiras sensações, onde se articularam as
crescentes conexões neurais (cerebralização), brilharam os
primeiros pensamentos, fortaleceu-se a juvenilização
(processo semelhante ao de um jovem que mostra
plasticidade e capacidade de aprendizagem) e emergiu a
complexidade social que permitiu o surgimento da
linguagem e da cultura. Há um espírito da África presente
em cada um dos seres humanos.
Vejo três eixos principais do espírito da África que podem
significar uma verdadeira terapia para a nossa crise global.
O primeiro é a Mãe-terra. Espalhando-se pelos vastos
espaços africanos, nossos ancestrais entraram em
profunda comunhão com a Terra, sentindo a interconexão
que todas as coisas guardam entre si. Mesmo vítimas da
exploração colonialista, os atuais africanos não perderam
esse sentido materno da Terra, tão bem representado pela
queniana Wangari Mathai, ganhadora do Prêmio Nobel da
Paz por plantar milhões de árvores e devolver, assim,
vitalidade à Terra. Precisamos nos reapropriar desse
espírito da Terra para salvar Gaia, nossa Mãe e única Casa
Comum.
O segundo eixo é a matriz relacional (relational matrix, no
dizer dos antropólogos). Os africanos usam a palavra
ubuntu, que significa força que conecta a todos formando
a comunidade dos humanos. Quer dizer, eu me faço
humano através do conjunto das conexões com a vida, a
natureza, os outros e o Divino.
O terceiro eixo são os rituais. Experiências importantes da
vida pessoal, social e sazonal são celebradas com ritos,
danças, músicas e apresentações de máscaras, portadores
de energia cósmica. É nos rituais que as forças negativas e
positivas se equilibram e que se aprofunda o sentido da
vida.
Se reincorporarmos o espírito da África, a crise não
precisará ser uma tragédia.
Somos Todos Africanos
Sempre que entram em crise, as civilizações começam a
olhar para o seu passado buscando inspiração para o
futuro. Hoje estamos no coração de uma fenomenal crise
planetária que afeta todas as civilizações. Ela pode
significar um salto rumo a um estado superior da
hominização, bem como uma tragédia ameaçadora para
toda a nossa espécie. Num momento assim radical, não é
sem interesse sondar as nossas raízes mais ancestrais e
aquele começo seminal em que deixamos de ser primatas
e passamos a ser humanos. Aqui deve haver lições que nos
podem ser muito úteis. Hoje é consenso entre os
paleontólogos e antropólogos que a aventura da
hominização se iniciou na África, cerca de sete milhões de
anos atrás. Ela se acelerou passando pelo homo habilis,
erectus, neanderthalensis até chegar ao homo sapiens,
cerca de 100 mil anos atrás. Da África, ele se propagou
para a Ásia, há sessenta mil anos; para a Europa, há 40 mil
anos; e para as Américas, há 30 mil anos.
A África não é apenas o lugar geográfico das origens. É o
arquétipo primal, o conjunto das marcas impressas na
alma do ser humano, presente ainda hoje como
informações indeléveis, à semelhança daquelas inscritas
em nosso código genético. Foi na África que o ser humano
elaborou suas primeiras sensações, onde se articularam as
crescentes conexões neurais (cerebralização), brilharam os
primeiros pensamentos, fortaleceu-se a juvenilização
(processo semelhante ao de um jovem que mostra
plasticidade e capacidade de aprendizagem) e emergiu a
complexidade social que permitiu o surgimento da
linguagem e da cultura. Há um espírito da África presente
em cada um dos seres humanos.
Vejo três eixos principais do espírito da África que podem
significar uma verdadeira terapia para a nossa crise global.
O primeiro é a Mãe-terra. Espalhando-se pelos vastos
espaços africanos, nossos ancestrais entraram em
profunda comunhão com a Terra, sentindo a interconexão
que todas as coisas guardam entre si. Mesmo vítimas da
exploração colonialista, os atuais africanos não perderam
esse sentido materno da Terra, tão bem representado pela
queniana Wangari Mathai, ganhadora do Prêmio Nobel da
Paz por plantar milhões de árvores e devolver, assim,
vitalidade à Terra. Precisamos nos reapropriar desse
espírito da Terra para salvar Gaia, nossa Mãe e única Casa
Comum.
O segundo eixo é a matriz relacional (relational matrix, no
dizer dos antropólogos). Os africanos usam a palavra
ubuntu, que significa força que conecta a todos formando
a comunidade dos humanos. Quer dizer, eu me faço
humano através do conjunto das conexões com a vida, a
natureza, os outros e o Divino.
O terceiro eixo são os rituais. Experiências importantes da
vida pessoal, social e sazonal são celebradas com ritos,
danças, músicas e apresentações de máscaras, portadores
de energia cósmica. É nos rituais que as forças negativas e
positivas se equilibram e que se aprofunda o sentido da
vida.
Se reincorporarmos o espírito da África, a crise não
precisará ser uma tragédia.
Pode-se inferir do Texto I que a África representa:
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Questão #893
Texto I
Negacionismo científico influencia no aumento de doenças
evitáveis por vacina no mundo
01 A vacinação é essencial e representa, além de atitude
02 individual, um ato coletivo, segundo o professor Gonzalo
03 Vecina Neto.
04 Nas últimas décadas, o avanço da medicina levou à
05 erradicação de algumas doenças mundiais. A criação de
06 vacinas e de tratamentos eficazes permitiram esse avanço
07 na saúde. Entretanto, de acordo com a Organização
08 Mundial da Saúde (OMS), o número de casos de doenças
09 evitáveis por vacina, como difteria, sarampo e meningite,
10 tem aumentado recentemente.
11 As causas desse crescimento são diversas e variam de
12 acordo com a localidade. Gonzalo Vecina Neto, professor
13 da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de
14 São Paulo (USP), comenta dos motivos desse aumento.
15 “Em regiões mais pobres, na África e no Sudeste Asiático,
16 a explicação desse crescimento é a escassez de vacinas,
17 falta de dinheiro para comprar essa forma de proteção.
18 Entretanto, nas outras regiões, desenvolvidas ou de renda
19 média, as razões são muito mais complexas, de modelo de
20 vacinação a negacionismo científico.”
21 Vacinação
22 Segundo o docente, atualmente existem duas formas de
23 vacinação adotadas pelas nações: a puericultura e o
24 modelo campanhista. No primeiro caso, há o
25 acompanhamento total da criança durante a sua infância
26 e o seu crescimento, analisando todo o quadro de saúde
27 do indivíduo. Por outro lado, as campanhas vacinais,
28 como o próprio nome diz, visam apenas à vacinação da
29 população. Mesmo os dois modelos sendo eficazes, a
30 puericultura é a mais indicada e eficiente a longo prazo.
31 O Brasil adota, desde 1975, o modelo campanhista de
32 vacinação. Até 2015, as campanhas atingiram cerca de
33 95% de cobertura vacinal da população. Contudo, após a
34 pandemia, casos de enfermidades como a meningite
35 voltaram a subir. Segundo a OMS, foram registrados, em
36 2024, 26 mil novos casos da doença e aproximadamente
37 1.400 mortes em 24 países.
38 Para o professor, a vacinação é, além de um ato
39 individual, uma atitude coletiva. “Quando você protege
40 mais de 70% da população, por alguma razão, o agente
41 infeccioso não consegue encontrar suscetíveis. Em uma
42 população de 100 habitantes, por exemplo, em que 70
43 estão vacinados, a chance de o agente contagioso
44 encontrar os outros 30 é muito pequena. É um evento
45 estatístico. Então, a proteção da sociedade protege a
46 todos. Mesmo aqueles que, por alguma razão, não
47 tiveram condição de ter acesso à vacina. O processo de
48 imunização de populações é um processo coletivo dentro
49 da saúde pública”, completa.
50 Negacionismo
51 Além dos modelos de imunização, a crescente onda
52 negacionista na ciência e a circulação de fake news têm
53 contribuído diretamente para o problema. “Uma mentira
54 bem contada e repetida muitas vezes se transforma em
55 uma verdade. E, dependendo do tipo de mentira que você
56 estiver tomando, existe risco de vida. Quando tratamos
57 de inverdades a respeito da vacina, isso pode colocar a
58 vida de pessoas em risco. Nós estamos vivendo em um
59 mundo em transformação, com alta carga de informações
60 compartilhadas. É um mundo onde nós estamos tendo
61 acesso a uma forma muito violenta à informação sem
62 regras”, defende Vecina Neto.
63 De acordo com a Organização, 138 países reportaram
64 casos de sarampo nos últimos 12 meses, sendo que, em
65 61, foram registrados grandes surtos. A doença é tida
66 como controlada em grande parte dos países
67 desenvolvidos e subdesenvolvidos. Porém, os dados
68 apresentados demonstram o retrocesso recente nos
69 avanços da medicina. Além da queda da cobertura
70 vacinal, conflitos novos e as mudanças climáticas são
71 agravantes do problema. Dessa maneira, as vacinas são
72 essenciais para mudar o cenário atual.
Negacionismo científico influencia no aumento de doenças
evitáveis por vacina no mundo
01 A vacinação é essencial e representa, além de atitude
02 individual, um ato coletivo, segundo o professor Gonzalo
03 Vecina Neto.
04 Nas últimas décadas, o avanço da medicina levou à
05 erradicação de algumas doenças mundiais. A criação de
06 vacinas e de tratamentos eficazes permitiram esse avanço
07 na saúde. Entretanto, de acordo com a Organização
08 Mundial da Saúde (OMS), o número de casos de doenças
09 evitáveis por vacina, como difteria, sarampo e meningite,
10 tem aumentado recentemente.
11 As causas desse crescimento são diversas e variam de
12 acordo com a localidade. Gonzalo Vecina Neto, professor
13 da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de
14 São Paulo (USP), comenta dos motivos desse aumento.
15 “Em regiões mais pobres, na África e no Sudeste Asiático,
16 a explicação desse crescimento é a escassez de vacinas,
17 falta de dinheiro para comprar essa forma de proteção.
18 Entretanto, nas outras regiões, desenvolvidas ou de renda
19 média, as razões são muito mais complexas, de modelo de
20 vacinação a negacionismo científico.”
21 Vacinação
22 Segundo o docente, atualmente existem duas formas de
23 vacinação adotadas pelas nações: a puericultura e o
24 modelo campanhista. No primeiro caso, há o
25 acompanhamento total da criança durante a sua infância
26 e o seu crescimento, analisando todo o quadro de saúde
27 do indivíduo. Por outro lado, as campanhas vacinais,
28 como o próprio nome diz, visam apenas à vacinação da
29 população. Mesmo os dois modelos sendo eficazes, a
30 puericultura é a mais indicada e eficiente a longo prazo.
31 O Brasil adota, desde 1975, o modelo campanhista de
32 vacinação. Até 2015, as campanhas atingiram cerca de
33 95% de cobertura vacinal da população. Contudo, após a
34 pandemia, casos de enfermidades como a meningite
35 voltaram a subir. Segundo a OMS, foram registrados, em
36 2024, 26 mil novos casos da doença e aproximadamente
37 1.400 mortes em 24 países.
38 Para o professor, a vacinação é, além de um ato
39 individual, uma atitude coletiva. “Quando você protege
40 mais de 70% da população, por alguma razão, o agente
41 infeccioso não consegue encontrar suscetíveis. Em uma
42 população de 100 habitantes, por exemplo, em que 70
43 estão vacinados, a chance de o agente contagioso
44 encontrar os outros 30 é muito pequena. É um evento
45 estatístico. Então, a proteção da sociedade protege a
46 todos. Mesmo aqueles que, por alguma razão, não
47 tiveram condição de ter acesso à vacina. O processo de
48 imunização de populações é um processo coletivo dentro
49 da saúde pública”, completa.
50 Negacionismo
51 Além dos modelos de imunização, a crescente onda
52 negacionista na ciência e a circulação de fake news têm
53 contribuído diretamente para o problema. “Uma mentira
54 bem contada e repetida muitas vezes se transforma em
55 uma verdade. E, dependendo do tipo de mentira que você
56 estiver tomando, existe risco de vida. Quando tratamos
57 de inverdades a respeito da vacina, isso pode colocar a
58 vida de pessoas em risco. Nós estamos vivendo em um
59 mundo em transformação, com alta carga de informações
60 compartilhadas. É um mundo onde nós estamos tendo
61 acesso a uma forma muito violenta à informação sem
62 regras”, defende Vecina Neto.
63 De acordo com a Organização, 138 países reportaram
64 casos de sarampo nos últimos 12 meses, sendo que, em
65 61, foram registrados grandes surtos. A doença é tida
66 como controlada em grande parte dos países
67 desenvolvidos e subdesenvolvidos. Porém, os dados
68 apresentados demonstram o retrocesso recente nos
69 avanços da medicina. Além da queda da cobertura
70 vacinal, conflitos novos e as mudanças climáticas são
71 agravantes do problema. Dessa maneira, as vacinas são
72 essenciais para mudar o cenário atual.
Nos trechos “Nas últimas décadas, o avanço da medicina
levou à {erradicação} de algumas doenças mundiais.” (linhas 04-05)
e “Porém, os dados apresentados demonstram o {retrocesso}
recente nos avanços da medicina.” (linhas 67-69), os termos
destacados significam, respectivamente,
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Questão #2076
Texto I
Somos Todos Africanos
Sempre que entram em crise, as civilizações começam a
olhar para o seu passado buscando inspiração para o
futuro. Hoje estamos no coração de uma fenomenal crise
planetária que afeta todas as civilizações. Ela pode
significar um salto rumo a um estado superior da
hominização, bem como uma tragédia ameaçadora para
toda a nossa espécie. Num momento assim radical, não é
sem interesse sondar as nossas raízes mais ancestrais e
aquele começo seminal em que deixamos de ser primatas
e passamos a ser humanos. Aqui deve haver lições que nos
podem ser muito úteis. Hoje é consenso entre os
paleontólogos e antropólogos que a aventura da
hominização se iniciou na África, cerca de sete milhões de
anos atrás. Ela se acelerou passando pelo homo habilis,
erectus, neanderthalensis até chegar ao homo sapiens,
cerca de 100 mil anos atrás. Da África, ele se propagou
para a Ásia, há sessenta mil anos; para a Europa, há 40 mil
anos; e para as Américas, há 30 mil anos.
A África não é apenas o lugar geográfico das origens. É o
arquétipo primal, o conjunto das marcas impressas na
alma do ser humano, presente ainda hoje como
informações indeléveis, à semelhança daquelas inscritas
em nosso código genético. Foi na África que o ser humano
elaborou suas primeiras sensações, onde se articularam as
crescentes conexões neurais (cerebralização), brilharam os
primeiros pensamentos, fortaleceu-se a juvenilização
(processo semelhante ao de um jovem que mostra
plasticidade e capacidade de aprendizagem) e emergiu a
complexidade social que permitiu o surgimento da
linguagem e da cultura. Há um espírito da África presente
em cada um dos seres humanos.
Vejo três eixos principais do espírito da África que podem
significar uma verdadeira terapia para a nossa crise global.
O primeiro é a Mãe-terra. Espalhando-se pelos vastos
espaços africanos, nossos ancestrais entraram em
profunda comunhão com a Terra, sentindo a interconexão
que todas as coisas guardam entre si. Mesmo vítimas da
exploração colonialista, os atuais africanos não perderam
esse sentido materno da Terra, tão bem representado pela
queniana Wangari Mathai, ganhadora do Prêmio Nobel da
Paz por plantar milhões de árvores e devolver, assim,
vitalidade à Terra. Precisamos nos reapropriar desse
espírito da Terra para salvar Gaia, nossa Mãe e única Casa
Comum.
O segundo eixo é a matriz relacional (relational matrix, no
dizer dos antropólogos). Os africanos usam a palavra
ubuntu, que significa força que conecta a todos formando
a comunidade dos humanos. Quer dizer, eu me faço
humano através do conjunto das conexões com a vida, a
natureza, os outros e o Divino.
O terceiro eixo são os rituais. Experiências importantes da
vida pessoal, social e sazonal são celebradas com ritos,
danças, músicas e apresentações de máscaras, portadores
de energia cósmica. É nos rituais que as forças negativas e
positivas se equilibram e que se aprofunda o sentido da
vida.
Se reincorporarmos o espírito da África, a crise não
precisará ser uma tragédia.
Somos Todos Africanos
Sempre que entram em crise, as civilizações começam a
olhar para o seu passado buscando inspiração para o
futuro. Hoje estamos no coração de uma fenomenal crise
planetária que afeta todas as civilizações. Ela pode
significar um salto rumo a um estado superior da
hominização, bem como uma tragédia ameaçadora para
toda a nossa espécie. Num momento assim radical, não é
sem interesse sondar as nossas raízes mais ancestrais e
aquele começo seminal em que deixamos de ser primatas
e passamos a ser humanos. Aqui deve haver lições que nos
podem ser muito úteis. Hoje é consenso entre os
paleontólogos e antropólogos que a aventura da
hominização se iniciou na África, cerca de sete milhões de
anos atrás. Ela se acelerou passando pelo homo habilis,
erectus, neanderthalensis até chegar ao homo sapiens,
cerca de 100 mil anos atrás. Da África, ele se propagou
para a Ásia, há sessenta mil anos; para a Europa, há 40 mil
anos; e para as Américas, há 30 mil anos.
A África não é apenas o lugar geográfico das origens. É o
arquétipo primal, o conjunto das marcas impressas na
alma do ser humano, presente ainda hoje como
informações indeléveis, à semelhança daquelas inscritas
em nosso código genético. Foi na África que o ser humano
elaborou suas primeiras sensações, onde se articularam as
crescentes conexões neurais (cerebralização), brilharam os
primeiros pensamentos, fortaleceu-se a juvenilização
(processo semelhante ao de um jovem que mostra
plasticidade e capacidade de aprendizagem) e emergiu a
complexidade social que permitiu o surgimento da
linguagem e da cultura. Há um espírito da África presente
em cada um dos seres humanos.
Vejo três eixos principais do espírito da África que podem
significar uma verdadeira terapia para a nossa crise global.
O primeiro é a Mãe-terra. Espalhando-se pelos vastos
espaços africanos, nossos ancestrais entraram em
profunda comunhão com a Terra, sentindo a interconexão
que todas as coisas guardam entre si. Mesmo vítimas da
exploração colonialista, os atuais africanos não perderam
esse sentido materno da Terra, tão bem representado pela
queniana Wangari Mathai, ganhadora do Prêmio Nobel da
Paz por plantar milhões de árvores e devolver, assim,
vitalidade à Terra. Precisamos nos reapropriar desse
espírito da Terra para salvar Gaia, nossa Mãe e única Casa
Comum.
O segundo eixo é a matriz relacional (relational matrix, no
dizer dos antropólogos). Os africanos usam a palavra
ubuntu, que significa força que conecta a todos formando
a comunidade dos humanos. Quer dizer, eu me faço
humano através do conjunto das conexões com a vida, a
natureza, os outros e o Divino.
O terceiro eixo são os rituais. Experiências importantes da
vida pessoal, social e sazonal são celebradas com ritos,
danças, músicas e apresentações de máscaras, portadores
de energia cósmica. É nos rituais que as forças negativas e
positivas se equilibram e que se aprofunda o sentido da
vida.
Se reincorporarmos o espírito da África, a crise não
precisará ser uma tragédia.
O texto I, Somos Todos Africanos é predominantemente:
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Questão #167
Com base no Manual de Redação da Presidência
da República (2018), analise as seguintes assertivas
sobre o uso da vírgula:
da República (2018), analise as seguintes assertivas
sobre o uso da vírgula:
1 ) A vírgula é utilizada para separar palavras ou orações
paralelas justapostas, isto é, não ligadas por
conjunção.
2 ) A vírgula também é empregada para indicar a elipse
(ocultação) de verbo ou outro termo anterior.
3 ) A vírgula é sempre utilizada entre termos que mantêm
entre si estreita ligação sintática – por exemplo, entre
sujeito e verbo, entre verbos ou nomes e seus
complementos.
4 ) A vírgula é fundamental para marcar o tempo de
respiração.
5 ) A vírgula deve ser usada para separar vocativos,
apostos e orações adjetivas explicativas.
Estão corretas as assertivas
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Questão #1344
Considerando os trechos a seguir, retirados do texto-base, assinale a alternativa na qual a palavra “que” NÃO tenha sido empregada como pronome relativo.
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Questão #1340
A arte de ver o outro
Por Gilmar Marcílio
01 Estamos perdendo consideravelmente a capacidade de estabelecer relações de acolhimento
02 e amor. Acho triste, pois precisamos desses dois sentimentos para abraçar com a alma aquele
03 que está próximo de nós. Porém, há algo ainda a ser feito para sustentar esses pilares
04 emocionais. Chegamos até aqui pela persistência em colaborar. E nessa palavra está embutido
05 um longo trajeto de renúncia ao egoístico ato de se colocar em primeiro lugar. Talvez você se
06 pergunte: como será verdade se as pessoas estão cada vez mais pensando só em si mesmas?
07 Acredito ser um sintoma temporário: creio que vamos nos exaurir de tanta individualidade. A
08 história é pendular. Ora aqui, ora acolá. Só após, o equilíbrio, também provisório.
09 Ninguém é autossuficiente o bastante para pre....indir de uma rede de apoio. Qualquer
10 existência está intrinsecamente ligada ___ demais. A ruptura desses elos pode significar o nosso
11 fim como espécie. No entanto, vejo sinais alentadores. Há muitos movimentos de solidariedade,
12 largos gestos promovendo a salvação quando somos atingidos por uma tragédia ambiental, por
13 exemplo. É comovente acompanhar tanta gente mobilizando-se em busca de uma solução ao se
14 depararem com comunidades que passaram por grandes perdas. Dá-se a isso o nome de
15 empatia.
16 Penso na magnífica arte da conversação. Vêm-me ___ mente os diálogos socráticos, nos
17 quais cada interlocutor apresenta seus pontos de vista e é acolhido pelo grupo ___ despeito de
18 eventuais divergências. Investigar diversas visões de mundo é multiplicar as experiências, pois
19 nos deslocamos para um local (imaginário) diferente do nosso. O narcísico não gosta dessa
20 prática e exatamente por isso deve-se insistir nesse propósito. Como é possível fazê-lo com
21 eficiência? Depois das triviais perguntas “olá, tudo bem, como está?”, nos despirmos um pouco
22 da autorreferência. É o início de ricos encontros que geralmente desaguam em divagações
23 filosóficas, transcendendo a banalidade do dia a dia. A inteligência é altamente sedutora,
24 compete com os atrativos físicos. E há o fato de, com a passagem do tempo e o aprofundamento
25 dos contatos, sempre termos o que acrescentar no diálogo com o amigo, o colega, o vizinho. Ver
26 com paixão quem está ao lado é estabelecer uma ligação próxima ao princípio religioso de
27 unicidade.
28 Conta-se que certas tribos indígenas, conhecidas por suas admiráveis criações artísticas,
29 nunca assinam as peças produzidas. Para eles, a glória particular não tem valor algum. Visando
30 escapar de tal armadilha da vaidade assinam as obras uns dos outros. Há neste pacto uma
31 indizível beleza.
32 Veja para além dos olhos, com o corpo todo. Só assim será capaz de fazer a leitura correta
33 de cada ser.
Por Gilmar Marcílio
01 Estamos perdendo consideravelmente a capacidade de estabelecer relações de acolhimento
02 e amor. Acho triste, pois precisamos desses dois sentimentos para abraçar com a alma aquele
03 que está próximo de nós. Porém, há algo ainda a ser feito para sustentar esses pilares
04 emocionais. Chegamos até aqui pela persistência em colaborar. E nessa palavra está embutido
05 um longo trajeto de renúncia ao egoístico ato de se colocar em primeiro lugar. Talvez você se
06 pergunte: como será verdade se as pessoas estão cada vez mais pensando só em si mesmas?
07 Acredito ser um sintoma temporário: creio que vamos nos exaurir de tanta individualidade. A
08 história é pendular. Ora aqui, ora acolá. Só após, o equilíbrio, também provisório.
09 Ninguém é autossuficiente o bastante para pre....indir de uma rede de apoio. Qualquer
10 existência está intrinsecamente ligada ___ demais. A ruptura desses elos pode significar o nosso
11 fim como espécie. No entanto, vejo sinais alentadores. Há muitos movimentos de solidariedade,
12 largos gestos promovendo a salvação quando somos atingidos por uma tragédia ambiental, por
13 exemplo. É comovente acompanhar tanta gente mobilizando-se em busca de uma solução ao se
14 depararem com comunidades que passaram por grandes perdas. Dá-se a isso o nome de
15 empatia.
16 Penso na magnífica arte da conversação. Vêm-me ___ mente os diálogos socráticos, nos
17 quais cada interlocutor apresenta seus pontos de vista e é acolhido pelo grupo ___ despeito de
18 eventuais divergências. Investigar diversas visões de mundo é multiplicar as experiências, pois
19 nos deslocamos para um local (imaginário) diferente do nosso. O narcísico não gosta dessa
20 prática e exatamente por isso deve-se insistir nesse propósito. Como é possível fazê-lo com
21 eficiência? Depois das triviais perguntas “olá, tudo bem, como está?”, nos despirmos um pouco
22 da autorreferência. É o início de ricos encontros que geralmente desaguam em divagações
23 filosóficas, transcendendo a banalidade do dia a dia. A inteligência é altamente sedutora,
24 compete com os atrativos físicos. E há o fato de, com a passagem do tempo e o aprofundamento
25 dos contatos, sempre termos o que acrescentar no diálogo com o amigo, o colega, o vizinho. Ver
26 com paixão quem está ao lado é estabelecer uma ligação próxima ao princípio religioso de
27 unicidade.
28 Conta-se que certas tribos indígenas, conhecidas por suas admiráveis criações artísticas,
29 nunca assinam as peças produzidas. Para eles, a glória particular não tem valor algum. Visando
30 escapar de tal armadilha da vaidade assinam as obras uns dos outros. Há neste pacto uma
31 indizível beleza.
32 Veja para além dos olhos, com o corpo todo. Só assim será capaz de fazer a leitura correta
33 de cada ser.
Considerando os trechos a seguir, retirados do texto-base, assinale a alternativa na qual a palavra “se” tenha sido empregada como conjunção.
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Questão #838
As células do cérebro não envelhecem
Hoje eu quero contar para vocês sobre um estudo inovador realizado na Columbia University, que confirma que as células cerebrais não envelhecem. Na verdade, o que se descobriu é que você tem exatamente o mesmo número de células nervosas (ou neurônios) quando jovem. Isso foi admitido inclusive como certo pelo diretor do Instituto Nacional de Saúde dos EUA. Eles provaram que o cérebro pode continuar criando novos neurônios para sempre. Portanto, a velha teoria de que cérebros humanos não podem construir novos neurônios cai por terra! Então, por que ocorre o declínio mental? O que ocorre, na verdade, é que não é o número de células do seu cérebro que diminui, mas sim o número de células-tronco cerebrais e os vasos sanguíneos que as alimentam que diminuem. Os cientistas da Columbia estudaram cérebros doados por pessoas idosas que morreram de causas naturais. Eles descobriram que os cérebros dos idosos tinham a mesma quantidade de novos neurônios que os jovens. Além disso, eles também encontraram um número menor de células-tronco inativas, ou “quiescentes”, em uma área do cérebro ligada à resistência cognitivo-emocional. Trata-se das nossas forças de reserva que alimentam nossa capacidade de aprender e se adaptar. [...]
Hoje eu quero contar para vocês sobre um estudo inovador realizado na Columbia University, que confirma que as células cerebrais não envelhecem. Na verdade, o que se descobriu é que você tem exatamente o mesmo número de células nervosas (ou neurônios) quando jovem. Isso foi admitido inclusive como certo pelo diretor do Instituto Nacional de Saúde dos EUA. Eles provaram que o cérebro pode continuar criando novos neurônios para sempre. Portanto, a velha teoria de que cérebros humanos não podem construir novos neurônios cai por terra! Então, por que ocorre o declínio mental? O que ocorre, na verdade, é que não é o número de células do seu cérebro que diminui, mas sim o número de células-tronco cerebrais e os vasos sanguíneos que as alimentam que diminuem. Os cientistas da Columbia estudaram cérebros doados por pessoas idosas que morreram de causas naturais. Eles descobriram que os cérebros dos idosos tinham a mesma quantidade de novos neurônios que os jovens. Além disso, eles também encontraram um número menor de células-tronco inativas, ou “quiescentes”, em uma área do cérebro ligada à resistência cognitivo-emocional. Trata-se das nossas forças de reserva que alimentam nossa capacidade de aprender e se adaptar. [...]
Em “{Além disso}, eles também encontraram um número menor de células-tronco inativas, ou 'quiescentes', em uma área do cérebro ligada à resistência cognitivo-emocional” (9º parágrafo), a expressão destacada poderia ser substituída, sem significativa alteração de sentido, por:
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Questão #1598
[...] Ao sair do Tejo, estando a Maria encostada à borda do navio, o Leonardo fingiu que passava
distraído por junto dela, e com o ferrado sapatão assentou-lhe uma valente pisadela no pé direito. A Maria,
como se já esperasse por aquilo, sorriu-se como envergonhada do gracejo, e deu-lhe também em ar de
disfarce um tremendo beliscão nas costas da mão esquerda. Era isto uma declaração em forma, segundo os
usos da terra: levaram o resto do dia de namoro cerrado; ao anoitecer passou-se a mesma cena de pisadela
e beliscão, com a diferença de serem desta vez um pouco mais fortes; e no dia seguinte estavam os dois
amantes tão extremosos e familiares, que pareciam sê-lo de muitos anos.
Quando saltaram em terra começou a Maria a sentir certos enojos: foram os dois morar juntos; e daí
a um mês manifestaram-se claramente os efeitos da pisadela e do beliscão, sete meses depois teve a Maria
um filho, formidável menino de quase três palmos de comprido, gordo e vermelho, cabeludo, esperneador e
chorão; o qual, logo depois que nasceu, mamou duas horas seguidas sem largar o peito. E este nascimento
é certamente de tudo o que temos dito o que mais nos interessa, porque o menino de quem falamos é o herói
desta história.
Chegou o dia de batizar-se o rapaz: foi madrinha a parteira; sobre o padrinho houve suas dúvidas: o
Leonardo queria que fosse o Sr. Juiz; porém teve de ceder a instâncias da Maria e da comadre, que queriam
que fosse o barbeiro de defronte, que afinal foi adotado. Já se sabe que houve nesse dia função: os
convidados do dono da casa, que eram todos dalém-mar, cantavam ao desafio, segundo seus costumes; os
convidados da comadre, que eram todos da terra, dançavam o fado. O compadre trouxe a rabeca, que é,
como se sabe, o instrumento favorito da gente do ofício. A princípio, o Leonardo quis que a festa tivesse ares
aristocráticos, e propôs que se dançasse o minuete da corte. Foi aceita a ideia, ainda que houvesse
dificuldade em encontrarem-se pares. Afinal levantaram-se uma gorda e baixa matrona, mulher de um
convidado; uma companheira desta, cuja figura era a mais completa antítese da sua; um colega do Leonardo,
miudinho, pequenino, e com fumaças de gaiato, e o sacristão da Sé, sujeito alto, magro e com pretensões de
elegante. O compadre foi quem tocou o minuete na rabeca; e o afilhadinho, deitado no colo da Maria,
acompanhava cada arcada com um guincho e um esperneio. Isto fez com que o compadre perdesse muitas
vezes o compasso, e fosse obrigado a recomeçar outras tantas.
ALMEIDA, Manuel Antônio de. Memórias de um sargento de milícias. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.
distraído por junto dela, e com o ferrado sapatão assentou-lhe uma valente pisadela no pé direito. A Maria,
como se já esperasse por aquilo, sorriu-se como envergonhada do gracejo, e deu-lhe também em ar de
disfarce um tremendo beliscão nas costas da mão esquerda. Era isto uma declaração em forma, segundo os
usos da terra: levaram o resto do dia de namoro cerrado; ao anoitecer passou-se a mesma cena de pisadela
e beliscão, com a diferença de serem desta vez um pouco mais fortes; e no dia seguinte estavam os dois
amantes tão extremosos e familiares, que pareciam sê-lo de muitos anos.
Quando saltaram em terra começou a Maria a sentir certos enojos: foram os dois morar juntos; e daí
a um mês manifestaram-se claramente os efeitos da pisadela e do beliscão, sete meses depois teve a Maria
um filho, formidável menino de quase três palmos de comprido, gordo e vermelho, cabeludo, esperneador e
chorão; o qual, logo depois que nasceu, mamou duas horas seguidas sem largar o peito. E este nascimento
é certamente de tudo o que temos dito o que mais nos interessa, porque o menino de quem falamos é o herói
desta história.
Chegou o dia de batizar-se o rapaz: foi madrinha a parteira; sobre o padrinho houve suas dúvidas: o
Leonardo queria que fosse o Sr. Juiz; porém teve de ceder a instâncias da Maria e da comadre, que queriam
que fosse o barbeiro de defronte, que afinal foi adotado. Já se sabe que houve nesse dia função: os
convidados do dono da casa, que eram todos dalém-mar, cantavam ao desafio, segundo seus costumes; os
convidados da comadre, que eram todos da terra, dançavam o fado. O compadre trouxe a rabeca, que é,
como se sabe, o instrumento favorito da gente do ofício. A princípio, o Leonardo quis que a festa tivesse ares
aristocráticos, e propôs que se dançasse o minuete da corte. Foi aceita a ideia, ainda que houvesse
dificuldade em encontrarem-se pares. Afinal levantaram-se uma gorda e baixa matrona, mulher de um
convidado; uma companheira desta, cuja figura era a mais completa antítese da sua; um colega do Leonardo,
miudinho, pequenino, e com fumaças de gaiato, e o sacristão da Sé, sujeito alto, magro e com pretensões de
elegante. O compadre foi quem tocou o minuete na rabeca; e o afilhadinho, deitado no colo da Maria,
acompanhava cada arcada com um guincho e um esperneio. Isto fez com que o compadre perdesse muitas
vezes o compasso, e fosse obrigado a recomeçar outras tantas.
ALMEIDA, Manuel Antônio de. Memórias de um sargento de milícias. São Paulo: Companhia das Letras, 2013.
Assinale a alternativa em que a mudança dos verbos sublinhados decorre em concordância com a norma culta.
“Chegou o dia de batizar-se o rapaz: foi madrinha a parteira; sobre o padrinho (I) houve suas dúvidas. [...].
(II) Já se sabe que houve nesse dia função: Foi aceita a ideia, ainda que (III) houvesse dificuldade em
encontrarem-se os pares.”
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